segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Qual é a origem da doutrina pré-lapsariana?





Ao defender que a natureza de Cristo é pré-lapsariana consequentemente aceitamos a doutrina espúria da imaculada conceição; vejamos:

1. Santo Hipólito, mártir, diz: "Certamente, a arca de madeiras incorruptíveis era o próprio Salvador. E por esta arca, isenta de podridão e corrupção, se significa seu tabernáculo, que não gerou corrupção de pecado. Pois o Senhor estava isento de pecado e estava, enquanto homem, revestido de madeiras incorruptíveis, isto é, da Virgem e do Espírito Santo, por dentro e por fora, como de ouro puríssimo do Verbo de Deus". Em outra parte, chama Maria de "toda santa, sempre Virgem, santa, Virgem imaculada".

2. Nas atas do martírio de Santo André, o Apóstolo, se lêem estas palavras ditas pelo Santo ao procônsul: "E visto que da terra foi formado o primeiro homem, que pela prevaricação da árvore trouxe a morte ao mundo, foi necessário que, de uma Virgem imaculada, nascesse o homem perfeito, o Filho de Deus, para que restituísse a vida eterna que os homens perderam por Adão". Ainda que estas atas - como alguns opinam - não sejam genuínas (isto é, contemporâneas de Santo André), possuem uma venerável antigüidade e nos atestam o que se pensava então a respeito da Santíssima Virgem. 

3. Santo Efrém da Síria, apelidado "Harpa do Espírito Santo", canta assim à Virgem: "Certamente Tu (Cristo) e tua Mãe sois os únicos que haveis sido totalmente formosos; pois em Ti, Senhor, não há defeito, nem em tua Mãe mancha alguma". E em outras partes chama Maria de "imaculada, incorrupta, santa, alheia a toda corrupção e mancha, muito mais resplandescente que o sol" etc.

4. Santo Ambrósio: "Vem, pois, Senhor Jesus e busca tua ovelha cansada; busca-a não pelos servos, nem pelos mercenários, mas por Ti mesmo. Recebe-me, não naquela carne em que caiu Adão, nem de Sara, mas de Maria: virgem incorrupta, íntegra e limpa de toda mancha de pecado".

5. E aponta São Jerônimo: "Propõe-te por modelo a gloriosa Virgem, cuja pureza foi tal que mereceu ser a Mãe do Senhor".

Santo Ireneu: "Assim como aquela Eva, desobediente, tendo Adão por varão, porém permanecendo ainda virgem, foi a causa da morte, assim também Maria, tendo já um varão predestinado e, no entanto, virgem obediente, foi causa de salvação para si e para todo o gênero humano (...) Desta forma, o nó da desobediência de Eva foi desatado pela obediência de Maria. O que a virgem Eva amarrou por sua incredulidade, foi desamarrado pela fé da Virgem Maria". 

Com efeito, assim como um nó não é desamarrado enquanto não se passam os cabos pelo mesmo lugar, mas de modo inverso, assim também a Redenção operou de forma idêntica, mas de modo inverso ao da queda.
Este paralelismo, que contém dois aspectos - semelhança e contraposição - encontra-se repetido, segundo acabamos de dizer, como um princípio básico ao se referir a Maria. E como é fácil de se compreender, não alcança toda sua força senão colocando os extremos da contraposição em igualdade de circunstâncias: Eva, virgem e inocente, é a causa da ruína do gênero humano; Maria, virgem e inocente também, a causa de sua salvação. Eva, adornada de graça desde o momento de sua existência, reclama, por comparação, a Maria, possuidora da graça desde o primeiro momento de seu ser. 
E Teodoro de Ancira, escreve: "Virgem inocente, sem mancha, santa de corpo e alma, nascida como o lírio entre os espinhos". E, em outro lugar: "Maria, na sua pureza, leva vantagem sobre os serafins e querubins".
Proclo, secretário de São João Crisóstomo, no mesmo século V, diz que Maria foi formada "de barro límpido", ou seja, é de natureza humana, porém, incontaminada.
No século VI, lemos um hino composto por São Tiago Nisibeno: "Se o Filho de Deus tivesse encontrado alguma mancha em Maria, um defeito sequer, sem dúvida escolheria [outra] mãe isenta de qualquer imundície". E qualifica a santidade de Maria como "justiça jamais rompida".

São Teófanes louva Maria assim: "Ó, incontaminada de toda mancha". E, em outra parte: "O puríssimo Filho de Deus, como encontrasse somente a ti puríssima de toda mancha, ou totalmente imune do pecado, foi gerado de tuas entranhas e limpa dos pecados todos os crentes".

Santo André de Creta: "Não temas! Encontraste graça diante de Deus: a graça que Eva perdeu (...) Encontraste a graça que nenhum outro [ser humano] como tu jamais encontrou".

E na Carta a Sérgio, aprovada pelo IV Concílio Ecumênico, Sofrônio diz acerca de Maria: "Santa, imaculada de corpo e alma, livre totalmente de todo contágio".
E São João, o Geometra, em um formoso verso: "Alegra-te, tu que deste a Cristo o corpo mortal. Alegra-te, tu que foste livre da queda do primeiro homem"
No século V, São Máximo escreve estas palavras: "Maria, digna morada de Cristo, não pela beleza do corpo, mas pela graça original".

Implicações: A aceitação da doutrina da natureza pré-lapsariana implica automaticamente em termos a Virgem Maria como co-redentora.


Osvair Munhoz
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