domingo, 23 de fevereiro de 2014

História: Como o Imperador Constantino Tornou-se o Pai do Dogma Católico da Trindade

























A formulação do dogma contra Ário marcou oficialmente o surgimento da Besta do Apocalipse, cuja imagem está para ser formada agora pelo governo dos Estados Unidos. O relato a seguir, fornece-nos informações valiosas sobre esse período histórico que, ao final, será interpretado profeticamente por Ellen G. White.

O imperador não-batizado (pagão) à frente da cristandade
O bispado romano não estava preparado para a enorme descoberta feita pelo máximo poder político, de que já não se podia governar sem Cristo. Silvestre I, titular oficial da sede de Pedro, seguiu sem ter grande influência. Nos 21 anos que durou seu governo, paralelo ao do imperador Constantino, fala-se pouco dele, apesar de que se celebre sua festa em 31 de dezembro, coincidindo com a do fim do ano. A igualdade de direitos de todos os bispos foi mais decisiva e influente que a autoridade exclusiva do bispo de Roma. O governo de Constantino procurou reunir todos os partidos religiosos e os paladinos da fé. O imperador, com o título de "Pontífice Máximo", presidiu durante 25 anos aquela igreja episcopal; à frente do cristianismo havia um César não batizado. Não se fez batizar até os últimos momentos de sua vida.
O vencedor em Roma queria dar a paz; por isso suas primeiras medidas foram cautelosas e conciliadoras. Basta de mártires! Não devia havê-los em nenhum grupo. Constantino proibiu a crucificação, a estigmatização na testa e a mutilação de membros. Proclamou: "Que ninguém incomode a outros; que cada qual se comporte como seu coração lhe diga. Ninguém pode ferir a outro, quaisquer que sejam suas convicções..."
Constantino decorou seus estandartes imperiais com o emblema cristão. Entretanto, na casa da moeda de Tarragona se cunharam moedas com a imagem do deus da luz acompanhado da Vitória. Como monumento de triunfo mandou erigir uma estátua no Foro levando na mão direita levantada uma cruz. Um ano depois da ocupação de Roma, o imperador promulgou o Decreto de Melam, que amparava aos cristãos e lhes concedia igualdade de direitos.

No Arco de Constantino, que o Senado mandou erigir, incluíram-se estatuetas do deus solar e da Vitória. Era uma artimanha do Senado, de tendência pagã, ou o desejava o imperador, a fim de dar a seu governo uma nota de imparcialidade?

Em fins de outubro de 313, os clérigos de la Igreja católica gozavam dos mesmos privilégios que os anteriores sacerdotes oficiais; isenção de prestação de serviços públicos e impostos, reconhecimento dos tribunais arbitrais episcopais e direito da Igreja a receber heranças. Os santuários cristãos estavam dotados do direito de asilo, igual aos templos dos antigos deuses.
Os privilégios concedidos pelo imperador aos cristãos requeriam uma contrapartida político-militar; a este efeito, a grande reunião eclesiástica celebrada em Arles no ano 314, sob a direção do Constantino, emitiu um documento sobre a negativa de prestar o serviço militar. Nele se diz: "Os que em tempo de paz abandonem as armas, serão excluídos da comunhão." Para os cristãos dos primeiros séculos, assim como para os bispos e pais da Igreja, os crentes não podiam ser arrolados para o serviço militar, e até lhes estava proibido assistir como espectadores às lutas de gladiadores.
Ainda em 350, em uma ordem de uma comunidade síria cristã primitiva, denominada geralmente "O testamento do Senhor", figura o seguinte: "Se alguém quiser ingressar na comunidade e deseja ser soldado, tem que renunciar a este último desejo; quem já for membro da comunidade e ingressar no exército, será excluído, pois com isso desprezou a Deus, e o que iniciou em espírito quer consumá-lo em carne, e se tem feito culpado de menosprezar a fé." E na ordem de outra comunidade da mesma época: "Todo aquele que receba um posto importante ou um cargo de autoridade e não renuncie ao uso das armas, conforme o exige o Evangelho, será expulso da comunidade."
Em Arles, adotou-se outro critério. Agora, sob o reinado do Constantino, a Igreja consentia em que os cristãos levassem espada, e até negava o sacramento do altar aos que seguiam o exemplo dos antigos soldados mártires. Os que cairam da fé pareciam esquecidos; os soldados mártires, sacrificados.
Ao cabo de cinco anos de ter começado o governo de Constantino em Roma, Itália e África, todos os estandartes do exército romano ostentavam o anagrama de Cristo, com estas palavras: "In hoc signo vinces" (Neste sinal, vencerás!). Oito anos depois da conquista de Roma se gravou como símbolo imperial nas lanças a cruz de Cristo, que um dia havia aparecido ao imperador e a seus soldados.

Constantino organizou o primeiro serviço litúrgico cristão no exército. Aos domingos, os soldados iam ao campo de exercícios. A um sinal, cristãos e não cristãos rezavam em latim com as mãos levantadas. E o olhar fixo no alto. Diz-se que o próprio imperador tinha redigido a oração, que dizia assim: "Só te reconhecemos como rei; imploramos-te como protetor; de ti obtivemos as vitórias, por ti nos impusemos aos inimigos. Estamos agradecidos pelo bem que nos tens feito, e esperamos poder dizer-te obrigado pelo que nos faças no futuro. A ti nos dirigimos, implorando: Conserva nosso imperador Constantino e a seus filhos, queridos de Deus, uma vida longa e vitoriosa."

Em março de 321, o imperador promulgou uma lei que restringia o trabalho nos domingos; quatro séculos depois, aquela proibição fez-se extensiva a todo trabalho no domingo. Constantino insistia em celebrar como dia de descanso "o venerável dia do sol", que não é o mesmo que havia dito o mártir Justino. Este, no ano 150, em uma súplica dirigida ao imperador Antonino Pio, expôs os principais usos da Igreja e, com tal motivo, falou-lhe do domingo. Justino o chamou dia do Senhor, dia de Cristo. Os cristãos dos primeiros séculos o santificaram. Para eles, a festa do domingo era como uma repetição semanal da Páscoa. Os crentes estavam acostumados a rezar ajoelhados outros dias da semana, mas de pé aos domingos. O dia da ressurreição, o Senhor "tinha dado a todos os seus redimidos o direito e o valor para estar de pé diante de seu Deus." A importância do domingo aumentou embora, no século II, tenha aparecido o costume de celebrar a quarta-feira como dia em que o Alto Conselho tinha ordenado a detenção do Jesus, e na sexta-feira por ser o dia de seu Suplício. Os dois últimos dias eram de penitência, enquanto que no domingo era uma festa alegre. Próprio do "dia do Senhor" era o "ágape do Senhor". O imperador Constantino permitiu que no domingo se emancipassem escravos e que as autoridades lavrassem as atas daquelas emancipações.
Na luta, que começou ao ano 323, contra seu cunhado, o imperador Licínio, soberano da metade oriental do Império, Constantino enviou suas tropas à batalha com o emblema cristão. Obtiveram a vitória, e Constantino passou à história como general invicto. Após reinou no Ocidente e Oriente sob o "lábaro", ou estandarte imperial, de cor púrpura com as iniciais gregas do nome de Cristo bordadas em ouro. Ao próprio tempo cessaram as cunhagens de moedas com a imagem do deus solar. Desde 326 a 330, o imperador fez cunhar a primeira moeda com o símbolo cristão, embora Roma tenha posto em circulação, ao mesmo tempo, moedas com as imagens da loba de Rômulo e Remo. Constantino, apesar de favorecer aos cristãos, apreciava deste modo os cultos antigos e manifestava seu simpatia pelos antigos deuses. Era um político religioso de grande estilo.
"Considero que a cisão interna da Igreja é mais perigosa que as guerras e batalhas", advertiu Constantino ao ver as discórdias entre os cristãos. Estes não deixavam de disputar, que fosse na África, no Egito, Síria ou países vizinhos; até a Igreja do Oriente se dividiu. Aquilo podia ser uma faísca perigosa para o Império romano. Então, o imperador interveio com decisão e energia na política eclesiástica. Sabia o que fazia falta: paz.
318 bispos reunidos no Concílio Imperial de Nicéia em 325

A sacrossanta Majestade passou a ser em certo sentido bispo universal quando Constantino convocou, a princípios do verão de 325o primeiro Concílio ecumênico do Império em Nicéia, florescente comércio à beira do mar Assoânio. Sob sua presidência se reuniram 300 bispos, representantes deste modo da política e do saber. Causaram uma grande impressão os titulares das três sedes arcebispais: Macário de Jerusalém, Eustáquio da Antioquia e Alexandre de Alexandria. O bispo de Roma, Silvestre I, esteve representado por dois presbíteros.

Despertaram profunda emoção as vítimas da última perseguição de cristãos: o bispo Potomano da Heracléia (Egito), de quem se atravessou um olho; o bispo Pafúncio da Alta Tebaida, a quem se mutilou um joelho; o bispo Paulo de Cesaréia, com as duas mãos paralíticas em conseqüência de ter sido torturado com ferros candentes.
A maioria dos emissários procediam do Oriente. Cem anos antes já havia na África mais de 100 bispos, e 60 na Itália e Roma. No Oriente, no Egito e África, o cristianismo se converteu em religião nacional. A Europa estava representada pela Itália, Grécia e Espanha. Entre os participantes havia também um escita. As fontes mencionam de 6 a 15 representantes ocidentais. Os dois mandatários do bispo de Roma se alternaram na presidência do sínodo com os bispos Ósio de Córdoba e Eusébio da Cesaréia, amigos do imperador.
Constantino, muito amigo do luxo e da riqueza nos palácios imperiais e igrejas cristãs de seu Império, revestiu de análogo esplendor, com profusão de ouro e pedraria, a assembléia eclesiástica que se celebrava no corpo central do palácio imperial. Era um espetáculo de lenda. O imperador, vestido de púrpura, sobressaía-se sobre todos os presentes. No centro havia uma cadeira de ouro, trono no qual se sentava ele, a pedido dos bispos. Seu discurso pronunciado em latim e traduzido ao grego punha muita ênfase em sua condição de "imperador" vitorioso e expressava sem rodeios a opinião de que a assembléia lhe merecia. Importava-lhe a unidade do Estado e da Igreja, pois só assim podia levar-se a cabo uma política com garantias de êxito no Ocidente e Oriente.
Chamava-se a si mesmo "co-servidor dos bispos", e aos bispos "amigos" ou "queridos irmãos", o que não impedia, porém, que os dirigisse com a maior energia. Constantino sabia apresentar-se com suavidade e bondade e se mostrou humilde quando, diante da assembléia reunida, saudou o bispo martirizado que havia perdido um olho e lhe beijou a cova deixada pela cicatriz. Sabia ser cordial, mas também muito duro quando as circunstâncias o exigiam.
Escutou com paciência discursos e réplicas. Era a velha cantilena que desde jovem tinha ouvido o imperador: adversidades, transtornos, dificuldades, disputa sobre ortodoxia, adulterações de manifestações eclesiásticas e opiniões heréticas.
Todos os hereges começam acatando a fé, mas logo se separam das normas por ela impostas. Assim o tinha proclamado fazia 100 anos Orígenes, o conhecedor científico das questões eclesiásticas. Daí que o imperador ou seus assessores teológicos compreendessem claramente o que faltava à Igreja: um dogma e uma administração. Só a unidade da fé podia restabelecer a unidade da Igreja e, com ela, a do Estado. Isso era o que importava em nicéia, aquilo pelo que lutava o imperador. O César, entre o paganismo e o cristianismo, queria dotar a Igreja de uma couraça que a protegesse interior e exteriormente. Essa couraça se chamava: unidade dogmática.
Depois desses discursos e réplicas no parlamento eclesiástico imperial, apresentaram-se ao imperador escritos de súplicas e queixa durante uma pausa ocorrida no primeiro dia de deliberações. Constantino prometeu tratar aqueles memorandos em um dos próximos dias, embora os tenha devolvido sem abrir os papéis apresentados e disse: "Deus lhes pôs como sacerdotes e lhes deu poder para nos julgar inclusive. Vós não podeis ser julgados por homens." Em seguida fez queimar todos os escritos de queixa. Além disso ordenou a readmissão pela Igreja de três ex-bispos que tinham sido excomungados.
Entre os pontos principais do programa de Nicéia figurava a doutrina herética de Ário, ex-presbítero da Alexandria, com sua tese de que Cristo era um ser intermediário entre a divindade e a humanidade. Confirmou-se a destituição de Arrio e a doutrina ariana foi definitivamente condenada.
Em outro dia das deliberações, o imperador falou com um dos participantes que figurava entre os novacianos. Era adepto daquele partido intransigente do clero que há um século (e até entrada a Idade Média) dividiu em dois grupos, não somente Roma, mas, sim, ao Império. Os novacianos, seguindo o exemplo de seu fundador o presbítero Novaciano expulso da sede episcopal de Roma, aspiravam a uma Igreja de "puros", segundo eles declaravam. Opunham-se à readmissão dos apóstatas. Constantino lamentava que se apartaram da Igreja católica. O cismático se mostrou inacessível respondendo ao imperador que quem tinha cometido um pecado mortal depois de batizado, já não podia ser admitido aos sagrados mistérios, mas, sim, tinha que esperar o perdão de Deus, pois os sacerdotes não lhe podiam dar. Então respondeu ironicamente o imperador: "Bom, pois toma a escada e sobe você sozinho ao céu."
O imperador formula o dogma
O que os bispos de Nicéia sentiam e necessitavam, formulou-o o imperador que convocou e presidiu o concílio ecumênico. Já não era o momento de sustentar lutas pessoais ou de grupo entre bispos e escolas teológicas que se insultavam e proscreviam mutuamente. A questão não era dirimir a luta, mas, sim, encontrar a unidade. O que importava era a concórdia, não a discórdia; importava a ordem da Igreja. De acordo com o bispo Ósio de Córdoba, desde muito tempo atrás íntimo do imperador e supostamente pai da idéia de celebrar aquele concílio, Constantino impôs que o dogma falasse da igualdade de essência divina do Filho com o Pai. Como dizia o texto:
"Filho de Deus, nascido do Pai, filho unigênito, ou seja gerado, não criado, da essência do Pai; Deus de Deus, luz de luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, consubstancial ao Pai, por quem foram feitas todas as coisas."
Este dogma de Nicéia sobre a divindade de Cristo procede de Constantino, quem parece que encontrou a expressão "consubstancial", que foi aceita por unanimidade na sessão de 19 de junho de 325O dogma da Igreja se publicou como lei do Império. O concílio ecumênico imperial se perpetuou, como instituição permanente, durante mais de cinco séculos.
À unificação dogmática seguiu a unificação em questões de culto e administração. Por decreto imperial, a festa de Páscoa se fixou para no domingo seguinte à primeira lua cheia da primavera, e o começo da primavera em 21 de março. Constantino queria a organização absolutamente intacta da Igreja, tomando como modelo a autoridade episcopal e a estrutura e união das comunidades. "Sigam ao bispo como Jesus ao Pai", já dizia Inácio, bispo da Antioquia, por volta do ano 100 de nossa era. No século II se deu forma fixa à organização de comunidades de fé, a Bíblia e o culto, organização que se amoldou às distintas províncias em que se dividia o território do Império. Os procônsules atuavam de comum acordo com os bispos em suas províncias. A aliança entre o Estado e a Igreja se fez cada vez mais estreita. Ambos participavam das mesmas lutas e destinos. Por parte da Igreja, isso constituía um transação com o Estado pagão.
Como encerramento do primeiro concílio ecumênico, Constantino deu um banquete oficial em Nicéia. Desdobramento de pompa e desfiles militares. Todo bispo recebeu um presente de despedida. Nos salões, nas varandas, em portas e portais, havia guardas de honra. O imperador escreveu a Alexandria: "O que acordaram os 300 bispos, não é nada mais que a opinião de Deus."
É de estranhar que baseando-se nessa aliança, Constantino se chamasse às vezes o "homem de Deus"? Havendo lhe visitado um grupo de padres, recebeu-os com estas palavras: "Vós fostes designados Por Deus para o que diz respeito as coisas internas da Igreja, e eu como uma espécie de bispo para os assuntos exteriores." Daí que o governante assumisse a missão temporal do cristianismo. Graças a ele, abriu-se à Igreja o Império do Oriente até Bizâncio: cristianização dos Bálcãs, dos godos e dos eslavos. -- Friedrich Gontard, História de los Papas - Regentes entre el cielo y el infierno, Tomo I, Compañia General Fabril Editora, Buenos Aires, 1961, págs. 147-154. [Tradução: Robson Ramos.]

Leia agora como a Sra. White descreve e interpreta esses mesmos acontecimentos:
Pouco a pouco, a princípio furtiva e silenciosamente, e depois mais às claras, à medida em que crescia em força e conquistava o domínio da mente das pessoas, o mistério da iniqüidade levou avante sua obra de engano e blasfêmia. Quase imperceptivelmente os costumes do paganismo tiveram ingresso na igreja cristã. O espírito de transigência e conformidade fora restringido durante algum tempo pelas terríveis perseguições que a igreja suportou sob o paganismo. Mas, em cessando a perseguição e entrando o cristianismo nas cortes e palácios dos reis, pôs ela de lado a humilde simplicidade de Cristo e Seus apóstolos, em troca da pompa e orgulho dos sacerdotes e governadores pagãos; e em lugar das ordenanças de Deus colocou teorias e tradições humanas.

A conversão nominal de Constantino, na primeira parte do século IV, causou grande regozijo; e o mundo, sob o manto de justiça aparente, introduziu-se na igreja. Progredia rapidamente a obra de corrupção. O paganismo, conquanto parecesse suplantado, tornou-se o vencedor. Seu espírito dominava a igreja. Suas doutrinas, cerimônias e superstições incorporaram-se à fé e culto dos professos seguidores de Cristo.
Esta mútua transigência entre o paganismo e o cristianismo resultou no desenvolvimento do "homem do pecado", predito na profecia como se opondo a Deus e exaltando-se sobre Ele. Aquele gigantesco sistema de religião falsa é a obra-prima do poder de Satanás - monumento de seus esforços para sentar-se sobre o trono e governar a Terra segundo a sua vontade.

Uma vez Satanás se esforçou por estabelecer um compromisso mútuo com Cristo. Chegando-se ao Filho de Deus no deserto da tentação, e mostrando-Lhe todos os reinos do mundo e a glória dos mesmos, ofereceu-se a entregar tudo em Suas mãos se tão-somente reconhecesse a supremacia do príncipe das trevas. Cristo repreendeu o pretensioso tentador e obrigou-o a retirar-se. Mas Satanás obtém maior êxito em apresentar ao homem as mesmas tentações. Para conseguir proveitos e honras humanas, a igreja foi levada a buscar o favor e apoio dos grandes homens da Terra; e, havendo assim rejeitado a Cristo, foi induzida a prestar obediência ao representante de Satanás - o bispo de Roma. -- O Grande Conflito, págs. 49-50.
A fim de proporcionar aos conversos do paganismo uma substituição à adoração de ídolos, e promover assim sua aceitação nominal do cristianismo, foi gradualmente introduzida no culto cristão a adoração das imagens e relíquias. O decreto de um concílio geral estabeleceu, por fim, este sistema de idolatria. Para completar a obra sacrílega, Roma pretendeu eliminar da lei de Deus, o segundo mandamento, que proíbe o culto das imagens, e dividir o décimo mandamento a fim de conservar o número deles.
Este espírito de concessão ao paganismo abriu caminho para desrespeito ainda maior da autoridade do Céu. Satanás, operando por meio de não consagrados dirigentes da igreja, intrometeu-se também com o quarto mandamento e tentou pôr de lado o antigo sábado, o dia que Deus tinha abençoado e santificado (Gên. 2:2 e 3), exaltando em seu lugar a festa observada pelos pagãos como "o venerável dia do Sol". Esta mudança não foi a princípio tentada abertamente. Nos primeiros séculos o verdadeiro sábado foi guardado por todos os cristãos. Eram estes ciosos da honra de Deus, e, crendo que Sua lei é imutável, zelosamente preservavam a santidade de seus preceitos. Mas com grande argúcia, Satanás operava mediante seus agentes para efetuar seu objetivo. Para que a atenção do povo pudesse ser chamada para o domingo, foi feito deste uma festividade em honra da ressurreição de Cristo. Atos religiosos eram nele realizados; era, porém, considerado como dia de recreio, sendo o sábado ainda observado como dia santificado. -- O Grande Conflito, pág. 52.
Na primeira parte do século IV, o imperador Constantino promulgou um decreto fazendo do domingo uma festividade pública em todo o Império Romano. O dia do Sol era venerado por seus súditos pagãos e honrado pelos cristãos; era política do imperador unir os interesses em conflito do paganismo e cristianismo. Com ele se empenharam para fazer isto os bispos da igreja, os quais, inspirados pela ambição e sede do poder, perceberam que, se o mesmo dia fosse observado tanto por cristãos como pagãos, promoveria a aceitação nominal do cristianismo pelos pagãos, e assim adiantaria o poderio e glória da igreja. Mas, conquanto muitos cristãos tementes a Deus fossem gradualmente levados a considerar o domingo como possuindo certo grau de santidade, ainda mantinham o verdadeiro sábado como o dia santo do Senhor, e observavam-no em obediência ao quarto mandamento.
O arquienganador não havia terminado a sua obra. Estava decidido a congregar o mundo cristão sob sua bandeira, e exercer o poder por intermédio de seu vigário, o orgulhoso pontífice que pretendia ser o representante de Cristo. Por meio de pagãos meio-convertidos, ambiciosos prelados e eclesiásticos amantes do mundo, realizou ele seu propósito. Celebravam-se de tempos em tempos vastos concílios aos quais do mundo todo concorriam os dignitários da igreja. Em quase todos os concílios o sábado que Deus havia instituído era rebaixado um pouco mais, enquanto o domingo era em idêntica proporção exaltado. Destarte a festividade pagã veio finalmente a ser honrada como instituição divina, ao mesmo tempo em que se declarava ser o sábado bíblico relíquia do judaísmo, amaldiçoando-se seus observadores.
O grande apóstata conseguira exaltar-se "contra tudo o que se chama Deus, ou se adora". II Tess. 2:4. Ousara mudar o único preceito da lei divina que inequivocamente indica a toda a humanidade o Deus verdadeiro e vivo. No quarto mandamento Deus é revelado como o Criador do céu e da Terra, e por isso Se distingue de todos os falsos deuses. Foi para memória da obra da criação que o sétimo dia foi santificado como dia de repouso para o homem. Destinava-se a conservar o Deus vivo sempre diante da mente humana como a fonte de todo ser e objeto de reverência e culto. Satanás esforça-se por desviar os homens de sua aliança para com Deus e de prestarem obediência à Sua lei; dirige Seus esforços, portanto, especialmente contra o mandamento que aponta a Deus como o Criador. -- O Grande Conflito, págs. 53-54.
O regulamento adotado pelos primeiros colonos [da América do Norte], permitindo apenas a membros da igreja votar ou ocupar cargos no governo civil, teve os mais perniciosos resultados. Esta medida fora aceita como meio para preservar a pureza do Estado, mas resultou na corrupção da igreja. Estipulando-se o professar religião como condição para o sufrágio e para o exercício de cargos públicos, muitos, influenciados apenas por motivos de conveniência mundana, uniram-se à igreja sem mudança de coração. Assim as igrejas vieram a compor-se, em considerável proporção, de pessoas não convertidas; e mesmo no ministério havia os que não somente mantinham erros de doutrinas, mas que eram ignorantes acerca do poder renovador do Espírito Santo. Assim novamente se demonstraram os maus resultados, tantas vezes testemunhados na história da igreja, desde os dias de Constantino até ao presente, de procurar edificar a igreja com o auxílio do Estado, apelando para o poder temporal em apoio do evangelhodAquele que declarou: "Meu reino não é deste mundo." João 18:36. A união da Igreja com o Estado, não importa quão fraca possa ser, conquanto pareça levar o mundo mais perto da igreja, não leva, em realidade, senão a igreja mais perto do mundo. -- O Grande Conflito, pág. 297.
A infidelidade da igreja para com Cristo, permitindo que sua confiança e afeição dEle se desviem, e consentindo que o amor às coisas mundanas ocupe a alma, é comparada com a violação do voto conjugal. O pecado de Israel, afastando-se do Senhor, é apresentado sob esta figura; e o maravilhoso amor de Deus, que assim desprezam, é descrito de maneira tocante: "Dei-te juramento, e entrei em concerto contigo, diz o Senhor Jeová, e tu ficaste sendo Minha." "E foste formosa em extremo, e foste próspera, até chegares a ser rainha. E correu a tua fama entre as nações, por causa da tua formosura, pois era perfeita, por causa da Minha glória que Eu tinha posto sobre ti. ... Mas confiaste na tua formosura, e te corrompeste por causa da tua fama." "Como a mulher se aparta aleivosamente do seu companheiro, assim aleivosamente te houveste comigo, ó casa de Israel, diz o Senhor"; "como a mulher adúltera que, em lugar de seu marido, recebe os estranhos." Ezeq. 16:8, 13-15 e 32; Jer. 3:20.
No Novo Testamento, expressão muito semelhante é dirigida aos professos cristãos que buscam a amizade do mundo, de preferência ao favor de Deus. Diz o apóstolo Tiago: "Adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus."
A mulher (Babilônia) de Apocalipse 17, é descrita como estando "vestida de púrpura e de escarlata, e adornada com ouro, e pedras preciosas e pérolas; e tinha na sua mão um cálice de ouro cheio das abominações e da imundícia; ... e na sua testa estava escrito o nome: Mistério, a grande Babilônia, a mãe das prostituições". Diz o profeta: "Vi que a mulher estava embriagada do sangue dos santos, e do sangue das testemunhas de Jesus." Declara ainda ser Babilônia "a grande cidade que reina sobre os reis da Terra". Apoc. 17:4-6 e 18. O poder que por tantos séculos manteve despótico domínio sobre os monarcas da cristandade, é Roma. A cor púrpura e escarlata, o ouro, as pérolas e pedras preciosas, pintam ao vivo a magnificência e extraordinária pompa ostentadas pela altiva Sé de Roma. E de nenhuma outra potência se poderia, com tanto acerto, declarar que está "embriagada do sangue dos santos", como daquela igreja que tão cruelmente tem perseguido os seguidores de Cristo. Babilônia é também acusada do pecado de relação ilícita com "os reis da Terra". Foi pelo afastamento do Senhor e aliança com os gentios que a igreja judaica se tornou prostituta; e Roma, corrompendo-se de modo semelhante ao procurar o apoio dos poderes do mundo, recebe condenação idêntica.
Declara-se que Babilônia é "mãe das prostitutas". Como suas filhas devem ser simbolizadas as igrejas que se apegam às suas doutrinas e tradições, seguindo-lhe o exemplo em sacrificar a verdade e a aprovação de Deus, a fim de estabelecer uma aliança ilícita como mundo. A mensagem de Apocalipse 14, anunciando a queda de Babilônia, deve aplicar-se às organizações religiosas que se corromperam. Visto que esta mensagem se segue à advertência acerca do juízo, deve ser proclamada nos últimos dias; portanto, não se refere apenas à Igreja de Roma, pois que esta igreja tem estado em condição decaída há muitos séculos. Demais, no capítulo 18 do Apocalipse, o povo de Deus é convidado a sair de Babilônia. De acordo com esta passagem, muitos do povo de Deus ainda devem estar em Babilônia. E em que corporações religiosas se encontrará hoje a maior parte dos seguidores de Cristo? Sem dúvida, nas várias igrejas que professam a fé protestante. Ao tempo em que surgiram, assumiram estas uma nobre posição no tocante a Deus e à verdade, e Sua bênção com elas estava. Mesmo o mundo incrédulo foi constrangido a reconhecer os benéficos resultados que se seguiam à aceitação dos princípios do evangelho. Nas palavras do profeta a Israel: "E correu a tua fama entre as nações, por causa da tua formosura, pois era perfeita, por causa da Minha glória que Eu tinha posto sobre ti, diz o Senhor Jeová." Ezeq. 16:14. Caíram, porém, pelo mesmo desejo que foi a maldição e ruína de Israel - o desejo de imitar as práticas dos ímpios e buscar-lhes a amizade. "Confiaste na tua formosura, e te corrompeste por causa da tua fama." Ezeq. 16:15.
Muitas das igrejas protestantes estão seguindo o exemplo de Roma na iníqua aliança com os "reis da Terra": igrejas do Estado, mediante suas relações com os governos seculares; e outras denominações, pela procura do favor do mundo. E o termo "Babilônia" - confusão - pode apropriadamente aplicar-se a estas corporações; todas professam derivar suas doutrinas da Escritura Sagrada, e, no entanto, estão divididas em quase inúmeras seitas, com credos e teorias grandemente contraditórios. -- O Grande Conflito, págs. 381-383.
O grande pecado imputado a Babilônia é que "a todas as nações deu a beber do vinho da ira da sua prostituição". Esta taça de veneno que ela oferece ao mundo representa as falsas doutrinas que aceitou, resultantes da união ilícita com os poderosos da Terra. A amizade mundana corrompe-lhe a fé, e por seu turno a igreja exerce uma influência corruptora sobre o mundo, ensinando doutrinas que se opõem às mais claras instruções das Sagradas Escrituras.
Roma privou o povo da Escritura Sagrada e exigiu que todos os homens aceitassem seus ensinos em lugar da própria Bíblia. Foi obra da Reforma restituir a Palavra de Deus aos homens; não é, porém, sobejamente verdade que nas igrejas modernas os homens são ensinados a depositar fé no credo e dogmas de sua igreja em vez de nas Escrituras? Falando das igrejas protestantes, disse Carlos Beecher: "Horrorizam-se com qualquer palavra rude contra os credos, com a mesma sensibilidade com que os santos padres se teriam horrorizado com uma rude palavra contra a incipiente veneração dos santos e mártires, por eles fomentada. ... As denominações evangélicas protestantes por tal forma ataram as mãos umas às outras, bem como suas próprias, que, em qualquer dessas denominações, um homem não pode absolutamente se tornar pregador, sem, de alguma maneira, aceitar outro livro além da Escritura Sagrada. ... Nada há de imaginário na declaração de que o poderio do credo está começando hoje a proibir a Bíblia tão realmente como o fez Roma, se bem que de maneira mais sutil." - Sermão sobre A Bíblia Como um Credo Suficiente, pronunciado em Fort Wayne, Indiana, a 2 de fevereiro de 1846.
Quando ensinadores fiéis expõem a Palavra de Deus, levantam-se homens de saber, pastores que professam compreender as Escrituras, e denunciam a doutrina sã como heresia, desviando assim os inquiridores da verdade. Não fosse o caso de se achar o mundo fatalmente embriagado com o vinho de Babilônia, e multidões seriam convencidas e convertidas pelas verdades claras e penetrantes da Palavra de Deus. Mas, a fé religiosa parece tão confusa e discordante que o povo não sabe o que crer como verdade. O pecado da impenitência do mundo jaz à porta da igreja. -- O Grande Conflito, págs. 388-389.
Quando se corrompeu a primitiva igreja, afastando-se da simplicidade do evangelho e aceitando ritos e costumes pagãos, perdeu o Espírito e o poder de Deus; e, para que pudesse governar a consciência do povo, procurou o apoio do poder secular. Disso resultou o papado, uma igreja que dirigia o poder do Estado e o empregava para favorecer aos seus próprios fins, especialmente na punição da "heresia". A fim de formarem os Estados Unidos uma imagem da besta, o poder religioso deve a tal ponto dirigir o governo civil que a autoridade do Estado também seja empregada pela igreja para realizar os seus próprios fins.
Quando quer que a Igreja tenha obtido o poder secular, empregou-o ela para punir a discordância às suas doutrinas. As igrejas protestantes que seguiram os passos de Roma, formando aliança com os poderes do mundo, têm manifestado desejo semelhante de restringir a liberdade de consciência. Dá-se um exemplo disto na prolongada perseguição aos dissidentes, feita pela Igreja Anglicana. Durante os séculos XVI e XVII, milhares de ministros não-conformistas foram obrigados a deixar as igrejas, e muitos, tanto pastores como do povo em geral, foram submetidos a multa, prisão, tortura e martírio.
Foi a apostasia que levou a igreja primitiva a procurar o auxílio do governo civil, e isto preparou o caminho para o desenvolvimento do papado - a besta. Disse Paulo que havia de vir "a apostasia", e manifestar-se "o homem do pecado". II Tess. 2:3. Assim a apostasia na igreja preparará o caminho para a imagem à besta. -- O Grande Conflito, págs. 443-444.
Quando as principais igrejas dos Estados Unidos, ligando-se em pontos de doutrinas que lhes são comuns, influenciarem o Estado para que imponha seus decretos e lhes apóie as instituições, a América do Norte protestante terá então formado uma imagem da hierarquia romana, e a aplicação de penas civis aos dissidentes será o resultado inevitável.
A besta de dois chifres "faz que a todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e servos, lhes seja posto um sinal na sua mão direita ou nas suas testas; para que ninguém possa comprar ou vender, senão aquele que tiver o sinal, ou o nome da besta, ou o número do seu nome". Apoc. 13:16 e 17. A advertência do terceiro anjo é: "Se alguém adorar a besta, e a sua imagem, e receber o sinal na sua testa, ou na sua mão, também o tal beberá do vinho da ira de Deus." "A besta" mencionada nesta mensagem, cuja adoração é imposta pela besta de dois chifres, é a primeira, ou a besta semelhante ao leopardo, do capítulo 13 do Apocalipse - o papado. A "imagem da besta" representa a forma de protestantismo apóstata que se desenvolverá quando as igrejas protestantes buscarem o auxílio do poder civil para imposição de seus dogmas. ... -- O Grande Conflito, pág. 445.

No movimento ora em ação nos Estados Unidos a fim de conseguir para as instituições e usos da igreja o apoio do Estado, os protestantes estão a seguir as pegadas dos romanistas. Na verdade, mais que isto, estão abrindo a porta para o papado a fim de adquirir na América do Norte protestante a supremacia que perdeu no Velho Mundo. E o que dá maior significação a este movimento é o fato de que o principal objeto visado é a obrigatoriedade da observância do domingo, prática que se originou com Roma, e que ela alega como sinal de sua autoridade. É o espírito do papado - espírito de conformidade com os costumes mundanos, com a veneração das tradições humanas acima dos mandamentos de Deus - que está embebendo as igrejas protestantes e levando-as a fazer a mesma obra de exaltação do domingo, a qual antes delas fez o papado.
Se o leitor deseja compreender que agentes atuarão na luta prestes a vir, não tem senão que investigar o relato dos meios que Roma empregou com o mesmo fito nos séculos passados.

Se quiser saber como romanistas e protestantes, unidos, tratarão os que rejeitarem seus dogmas, veja o espírito que Roma manifestou em relação ao sábado e seus defensores. Editos reais, concílios gerais e ordenanças eclesiásticas, apoiadas pelo poder secular, foram os passos por que a festividade pagã alcançou posição de honra no mundo cristão. A primeira medida de ordem pública impondo a observância do domingo foi a lei feita por Constantino. (No ano 321.) Este edito exigia que o povo da cidade repousasse no venerável dia do Sol", mas permitia aos homens do campo continuarem com suas fainas agrícolas. Posto que virtualmente um estatuto pagão, foi imposto pelo imperador depois de ser nominalmente aceito pelo cristianismo.
Como a ordem real não parecia substituir de modo suficiente a autoridade divina, Eusébio, bispo que procurava o favor dos príncipes e era amigo íntimo e adulador de Constantino, propôs a alegação de que Cristo transferira o sábado para o domingo. Nenhum testemunho das Escrituras, sequer, foi aduzido em prova da nova doutrina. O próprio Eusébio inadvertidamente reconhece sua falsidade, e indica os verdadeiros autores da mudança."Todas as coisas", diz ele, "que se deveriam fazer no sábado nós as transferimos para o dia do Senhor." Leis e Deveres Sabáticos, de R. Cox. Mas o argumento do domingo, infundado como era, serviu para incentivar os homens a desprezarem o sábado do Senhor. Todos os que desejavam ser honrados pelo mundo, aceitaram a festividade popular. -- O Grande Conflito, págs 573-574.
"Vi descer do céu outro anjo que tinha grande poder, e a Terra foi iluminada com a sua glória. E clamou fortemente com grande voz, dizendo: Caiu, caiu a grande Babilônia, e se tornou morada de demônios, e coito de todo o espírito imundo, e coito de toda a ave imunda, e aborrecível." "E ouvi outra voz do céu, que dizia: Sai dela, povo Meu, para que não sejas participante dos seus pecados, e para que não incorras nas suas pragas." Apoc. 18:1, 2 e 4.
Esta passagem indica um tempo em que o anúncio da queda de Babilônia, conforme foi feito pelo segundo anjo do capítulo 14 do Apocalipse, deve repetir-se com a menção adicional das corrupções que têm estado a se introduzir nas várias organizações que constituem Babilônia, desde que esta mensagem foi pela primeira vez proclamada, no verão de 1844. Descreve-se aqui uma terrível condição do mundo religioso. A cada rejeição da verdade o espírito do povo se tornará mais entenebrecido, mais obstinado o coração, até que fique entrincheirado em audaciosa incredulidade. Em desafio às advertências que Deus deu, continuarão a calcar a pés um dos preceitos do decálogo, até que sejam levados a perseguir os que o têm como sagrado. Cristo é desprezado com o desdém que se lança à Sua Palavra e a Seu povo. Sendo os ensinos do espiritismo aceitos pelas igrejas, removem-se as restrições impostas ao coração carnal, e o professar religião se tornará um manto para ocultar a mais vil iniqüidade. A crença nas manifestações espiritualistas abre a porta aos espíritos enganadores e doutrinas de demônios, e assim a influência dos anjos maus será sentida nas igrejas.
A respeito de Babilônia, no tempo referido nesta profecia, declara-se: "Os seus pecados se acumularam até ao céu, e Deus Se lembrou das iniqüidades dela." Apoc. 18:5. Encheu a medida de sua culpa, e a destruição está a ponto de cair sobre ela. Mas Deus ainda tem um povo em Babilônia; e, antes de sobrevirem Seus juízos, esses fiéis devem ser chamados a sair, para que não sejam participantes dos seus pecados e não incorram nas suas pragas. Esta a razão de ser o movimento simbolizado pelo anjo descendo do Céu, iluminando a Terra com sua glória, e clamando fortemente com grande voz, anunciando os pecados de Babilônia. Em relação com a sua mensagem ouve-se a chamada: "Sai dela, povo Meu." Estes anúncios, unindo-se à mensagem do terceiro anjo, constituem a advertência final a ser dada aos habitantes da Terra.
Terrível é a crise para a qual caminha o mundo. Os poderes da Terra, unindo-se para combater os mandamentos de Deus, decretarão que todos, "pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e servos" (Apoc. 13:16), se conformem aos costumes da igreja, pela observância do falso sábado. Todos os que se recusarem a conformar-se serão castigados pelas leis civis, e declarar-se-á finalmente serem merecedores de morte. -- O Grande Conflito, págs. 603-604.
Assim será proclamada a mensagem do terceiro anjo. Ao chegar o tempo para que ela seja dada com o máximo poder, o Senhor operará por meio de humildes instrumentos, dirigindo a mente dos que se consagram ao Seu serviço. Os obreiros serão antes qualificados pela unção de Seu Espírito do que pelo preparo das instituições de ensino. Homens de fé e oração serão constrangidos a sair com zelo santo, declarando as palavras que Deus lhes dá. Os pecados de Babilônia serão revelados. Os terríveis resultados da imposição das observâncias da igreja pela autoridade civil, as incursões do espiritismo, os furtivos mas rápidos progressos do poder papal - tudo será desmascarado. Por meio destes solenes avisos o povo será comovido. Milhares de milhares que nunca ouviram palavras como essas, escutá-las-ão. Com espanto ouvirão o testemunho de que Babilônia é a igreja, caída por causa de seus erros e pecados, por causa de sua rejeição da verdade, enviada do Céu a ela. Ao ir o povo a seus antigos ensinadores, com a ávida pergunta - São estas coisas assim? - os ministros apresentam fábulas, profetizam coisas agradáveis, para acalmar-lhes os temores, e silenciar a consciência despertada. Mas, visto que muitos se recusarão a satisfazer-se com a mera autoridade dos homens, pedindo um claro - "Assim diz o Senhor" - o ministério popular, semelhante aos fariseus da antiguidade, cheio de ira por ser posta em dúvida a sua autoridade, denunciará a mensagem como sendo de Satanás, e agitará as multidões amantes do pecado para ultrajar e perseguir os que a proclamam.

Estendendo-se a controvérsia a novos campos, e sendo a atenção do povo chamada para a lei de Deus calcada a pés, Satanás entrará em ação. O poder que acompanha a mensagem apenas enfurecerá os que a ela se opõem. O clero empregará esforços quase sobre-humanos para excluir a luz, receoso de que ilumine seus rebanhos. Por todos os meios ao seu alcance esforçar-se-á por evitar todo estudo destes assuntos vitais. A igreja apelará para o braço forte do poder civil, e nesta obra unir-se-ão romanistas e protestantes. Ao tornar-se o movimento em prol da imposição do domingo mais audaz e decidido, invocar-se-á a lei contra os observadores dos mandamentos. Serão ameaçados com multas e prisão, e a alguns se oferecerão posições de influência e outras recompensas e vantagens, como engodo para renunciarem a sua fé. Mas sua perseverante resposta será: "Mostrai-nos pela Palavra de Deus o nosso erro" - a mesma que foi apresentada por Lutero sob idênticas circunstâncias. Os que forem citados perante os tribunais, defenderão corajosamente a verdade, e alguns que os ouvirem serão levados a decidir-se a guardar todos os mandamentos de Deus. Assim a luz chegará a milhares que de outra maneira nada saberiam destas verdades. -- O Grande Conflito, págs. 606-608

sábado, 22 de fevereiro de 2014

A Mensagem de Cristo para a Igreja verdadeira no deserto


 
“Eu sei as tuas obras e onde habitas, que é onde está o trono de Satanás; e reténs o meu nome e não negaste a minha fé”, disse Jesus, “ainda nos dias de Antipas, meu mártir fiel, o qual foi morto entre vós, onde Satanás habita.” (Apocalipse 2: 13). 

A Igreja no deserto não tinha funcionários da Conferência Geral e local, construções da igreja, escolas, hospitais ou outra estrutura visível. 
Eles conduziam seus serviços nas montanhas e cavernas da terra (ver Ellen White, “Os Valdenses”, O Grande Conflito, pp. 61-78). 
Esta Igreja encontrava-se no deserto por causa da perseguição da Igreja Católica Romana. Existe um paralelo distinto entre a Igreja no deserto e a Igreja Remanescente próximo ao fechamento da porta da graça. 
 Por entre as trevas que baixaram à Terra durante o longo período da supremacia papal, a luz da verdade não poderia ficar inteiramente extinta. Em cada época houve testemunhas de Deus - homens que acalentavam fé em Cristo como único mediador entre Deus e o homem, que mantinham a Escritura Sagrada como a única regra de vida, e santificavam o verdadeiro sábado. 
Quanto o mundo deve a estes homens, a posteridade jamais saberá… 
Ellen White, O Grande Conflito, p. 61. 

Perceba: “homens que acalentavam fé em Cristo como único mediador entre Deus e o homem”. 
Também havia homens e mulheres que “mantinham a Escritura Sagrada como a única regra de vida.” 
Além disso, estes homens e mulheres de Deus “santificavam o verdadeiro Sábado.” A Igreja Remanescente final também manterá a Bíblia como a única regra de fé e santificará o Sábado, que é o 
selo de Deus, em vez de a marca da besta – a observância do Domingo. 

“Mas Deus terá sobre a Terra um povo que mantenha a Bíblia, e a Bíblia só, como norma de todas as doutrinas e base de todas as reformas”, escreve Ellen White. “As opiniões de homens ilustrados, as deduções da ciência, os credos ou decisões dos concílios eclesiásticos, tão numerosos e discordantes como são as igrejas que representam a voz da maioria - nenhuma destas coisas, nem todas em conjunto, deveriam considerar-se como prova em favor ou contra qualquer ponto de fé religiosa…” (O Grande 
Conflito, p. 595). 

“Eles são taxados como hereges, seus motivos impugnados [atacados], seus caráteres amaldiçoados, seus escritos suprimidos, mal representados ou mutilados”, escreve Ellen White sobre os Valdenses. 
“Não obstante, eles permaneceram firme e de época em época a fé deles em sua pureza, como herança sagrada para as gerações por vir.” (O Grande Conflito, “Os Valdenses”). 

Esta é uma figura do movimento histórico Adventista de hoje. Eles são “taxados como hereges” e seus motivos atacados. Ademais, “seus caráteres são amaldiçoados” e “seus escritos [são] 
suprimidos”. Vá para qualquer Livraria Adventista e tente comprar livros de E. J. Waggoner ou A. T.Jones. Os escritos deles são “mal representados ou mutilados”. Os escritos pioneiros Adventistas foram “revisados” muitas vezes. Mesmo os escritos de Uriah Smith (que era o editor da Review and Herald por volta de cinqüenta anos) são difíceis de encontrar em uma Livraria Adventista. Sua maior obra, Daniel e Apocalipse, foi suprimida e mais versões contemporâneas foram promovidas – até mesmo um volume do livro de Daniel escrito por Desmond Ford.

A Igreja Apostatada da Idade das Trevas


 
A Mensagem de Cristo para a Igreja Apostatada da Idade das Trevas 

“Mas, tenho algumas coisas contra ti, porque toleras que a mulher Jezabel, a qual se diz profetisa, ensinar e enganar meus servos a cometer fornicação e comam coisas sacrificadas aos ídolos”, disse 
Jesus. “E dei-lhe seu tempo para se arrepender de sua fornicação; e não se arrependeu. Vede, eu a colocarei numa cama, e sobre os que adulteram com ela virá grande tribulação, exceto se se arrependerem de suas obras.” (Apocalipse 2: 20-22). 

A Igreja apostatada de Roma tinha funcionários de Conferência [Diocese] Geral e local, construções da igreja, escolas, hospitais, monastérios, conventos e outras estruturas visíveis. A liderança desta Igreja exercia autoridade eclesiástica e estadista para perseguir os santos do Altíssimo (ver Ellen White, O Grande Conflito).
 Existia e existe um paralelo distinto entre a Igreja Católica Romana e a Igreja Judaica nos tempos de Cristo. 

A Igreja de Roma e a Igreja Judaica 

“Existia notável semelhança entre a Igreja de Roma e a igreja judaica, ao tempo do primeiro advento de Cristo”, declara Ellen White. “Ao passo que os judeus secretamente espezinhavam todos os princípios da lei de Deus, eram exteriormente rigorosos na observância de seus preceitos, sobrecarregando-a com exorbitâncias e tradições que tornavam difícil e penosa a obediência.” (O Grande Conflito, p. 568). 
“Assim como os judeus professavam reverenciar a lei, pretendem os romanistas reverenciar a cruz”, conclui Ellen White. “Exaltam o símbolo dos sofrimentos de Cristo, enquanto no viver negam Aquele a quem ela representa.” (O Grande Conflito, p. 568). 
 
No quarto século, a Igreja de Roma apostatou quando aceitou as tradições do Paganismo dentro da Igreja na conversão do Imperador Romano Constantino: “O Imperador Romano Constantino admitiu tolerância ao Cristianismo (o Edito de Milão, 313) e este se elevou ao status de religião oficial.” 
(Enciclopédia de Grolier, artigo “Papado”). A Igreja tinha, agora, cometido adultério com as nações pagãs em derredor. O Imperador Constantino promulgou a primeira lei dominical (321 d. C.)a doutrina da trindade no concílio de Nicéia em 325 e, no concílio de Laodicéia (336 d. C.), a Igreja ratificou o Domingo como o dia sobre o qual os Cristãos deveriam adorar em vez do odiado Sábado do sétimo dia do Judeu. Com esta apostasia, o nascimento do papado tinha se iniciado em cumprimento à profecia do apóstolo Paulo: 
 
“Nenhum homem de maneira nenhuma vos engane, porque não será assim sem que antes venha a apostasia, e seja revelado o homem do pecado, o filho da perdição”, profetizou Paulo. “O qual se opõe, e que se levanta contra tudo que se chama Deus ou se adora; de sorte que se assentará no templo de 
Deus, querendo parecer Deus.” (II Tessalonicenses 2: 3 e 4). 
 
Apostasia na exibição da Cruz 
 
Os papistas colocam cruzes sobre as igrejas, sobre os altares e sobre as vestes. Por toda parte se vê a insígnia da cruz. Por toda parte é ela exteriormente honrada e exaltada. Mas os ensinos de Cristo estão sepultados sob um montão de tradições destituídas de sentido, falsas interpretações e rigorosas exigências. As palavras do Salvador relativas aos fariseus, aplicam-se com maior força ainda aos chefes do romanismo: "Atam fardos pesados e difíceis de suportar, e os põem aos ombros dos homens; eles, porém, nem com o dedo os querem mover." Mat. 23:4. Almas conscienciosas são conservadas em constante terror, temendo a ira de um Deus que foi ofendido, enquanto muitos dos dignitários da igreja estão a viver no luxo e em prazeres sensuais. 
Ellen White, O Grande Conflito, p. 568. 
 
Este testemunho se aplica agora a igreja nominal? Hoje, vemos que eles também “colocam cruzes sobre as igrejas, [e] sobre os altares.” Será o próximo passo dado pela igreja nominal colocar a cruz sobre “suas vestes”? 
 
Perceba: “As palavras do Salvador relativas aos fariseus, aplicam-se com maior força ainda aos chefes da Igreja  Romana.” Além disso, as pessoas que acreditam nesse sistema de vida apostatado da igreja vivem em terror “enquanto muitos dos dignitários da igreja estão a viver no luxo e em prazeres sensuais.” Hoje, alguém poderia aplicar esse testemunho para a Igreja Nominal contemporânea. O povo vive com medo da autoridade eclesiástica, “enquanto muitos dos dignitários da igreja estão a viver no luxo e em prazeres sensuais.” 
 
Roma governou suprema por 1.200 anos 
“Os períodos aqui mencionados – ‘quarenta e dois meses’ e ‘mil, duzentos e sessenta dias’ - são o mesmo, representando igualmente o tempo em que a igreja de Cristo deveria sofrer opressão de Roma”, escreveu Ellen White. “Os 1.260 anos da supremacia papal começaram em 538 de nossa era e terminariam, portanto, em 1798.” (O Grande Conflito, Edição de 1888, p. 266)

sábado, 15 de fevereiro de 2014

SATANÁS E SEUS ANJOS NÃO QUEREM QUE VOCÊ SAIBA QUE JESUS FOI GERADO DE DEUS



Anjos foram expulsos do céu, porque eles não quiseram trabalhar em harmonia com Deus. Caíram de sua elevada posição porque desejam ser exaltados. Chegaram a esta situação porque se esqueceram que sua beleza de personalidade e caráter viera do Senhor Jesus. Este fato os anjos [caídos] iriam obscurecer, que Cristo foi o único filho gerado de Deus, e eles decidiram que não iriam consultar a Cristo. Ellen White (This DayWhit God, p. 128

A Igreja Apostólica


A Mensagem de Cristo para a primeira Igreja Cristã 

 “Eu sei as tuas obras, e o teu trabalho, e tua paciência, e que não podes carregar o que é mal, e puseste à prova os que dizem ser apóstolos [ministros] e não o são e tu o achaste mentirosos.”, disse Jesus. “E sofreste e tiveste paciência, e trabalhaste pelo meu nome e não te cansaste.” (Apocalipse 2: 2 e 3). 
A primeira Igreja Cristã iniciou sob o poder da “chuva temporã” do Espírito Santo (Atos 2). A Igreja última ou remanescente finalizará a obra sob o poder da “chuva serôdia” do Espírito Santo. (Oséias 6: 
3, Atos 2: 17 e 128, Apocalipse 18). 

Homens devotos confessam a culpa pela morte de Cristo 
 
No dia de Pentecostes, quando o apóstolo Pedro pleiteou com o povo para o arrependimento e para que fossem batizados, “em Jerusalém estavam habitando judeus, homens devotos, de todas as nações que estão debaixo do céu.” (Atos 2: 5). Perceba que Pedro estava falando à multidão de homens “devotos”. 
O dicionário Strong’s Greek declara que a palavra “devoto” como “eulabes” significa: “cuidadoso, religioso, pio.” Muito embora fossem homens devotos e membros de boa permanência da Igreja Judaica contemporânea, Pedro chamou-os para: “Arrependei-vos e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para a remissão dos pecados.” (Atos 2: 38 a). Novamente, estes eram “homens devotos”. 
Qual pecado eles tinham cometido para que precisassem se arrepender? 
 
“Pois, que toda a casa de Israel saiba com certeza”, responde Pedro, “que Deus fez esse mesmo Jesus, o qual vós crucificastes, Senhor e Cristo.” (Atos 2: 36). 
 
Pedro estava falando àqueles homens devotos, os quais eram “de todas as nações que estão debaixo dos céus”, e estavam reunidos em Jerusalém para celebrar o Pentecostes. Eles não estiveram presentes quando Jesus foi crucificado, no entanto, como membros de boa permanência na Igreja Judaica, eles eram incorporadamente responsáveis pela morte de Cristo. Houve ainda uma provação para eles se arrependerem e Pedro os chamou para tanto. E arrependeram-se. (Atos 2: 37 e 38). 
 
No entanto, para a liderança da Igreja não havia mais provação. A casa deles tinha sido “deixada deserta” (Mateus 23: 38). Mais tarde, quando Pedro foi chamado diante da liderança da Igreja Judaica para a pregação no nome de Jesus, ele também os acusou de serem responsáveis pela morte de Cristo – entretanto, Pedro não os chamou para o arrependimento! Por quê? 
Porque sendo líderes de uma igreja apostatada, eles tinham passado pelo tempo de provação. 
 
“E aconteceu, no dia seguinte, que seus principais, os anciãos, os escribas, e Anás, o sumo-sacerdote, e Caifás, e João, e Alexandre, e todos quantos eram da linhagem do sumo-sacerdote, reuniram-se em Jerusalém”, relata a Escritura. “E, pondo-os no meio, perguntaram: Com que poder ou em nome de quem fizestes isto?” (Atos 4: 5-7). 
“Principais do povo e vós, anciãos de Israel”, Pedro, cheio do Espírito Santo respondeu corajosamente. 
“Seja conhecido de vós todos [liderança] e de todo o povo de Israel [a Igreja], que em nome de Jesus de Nazaré, aquele que vós crucificastes, e a quem Deus ressuscitou dos mortos, em nome dele é que este homem está são diante de vós todos.” (Atos 4: 8-10). 
 
Perceba que, outra vez, Pedro acusou a liderança da morte de Cristo: “aquele que vós crucificastes” – 
todavia, ele não os chamou para o arrependimento! A provação deles tinha passado. Havia, porém, um limite para a misericórdia de Deus para o povo. Foi-lhes dado um período curto de por volta de 
quarenta anos para aceitar a verdade do evangelho. Em 70 d. C., os juízos de Deus foram derramados sobre a Igreja Judaica, quando Jerusalém e o templo foram destruídos pelos exércitos de Roma liderados por Tito. A maioria do povo na Igreja Judaica foi morta. Aqueles que sobreviveram foram espalhados em todo o mundo Não havia meio pelo qual a Igreja primitiva pudesse comprometer, ou buscar reconhecimento e aceitação da Igreja Judaica daqueles dias. 
Se eles tivessem, poderiam ser destruídos com esta na ruína de Jerusalém. Os Cristãos primitivos tiveram que se separar da Igreja mãe de modo a pregar e praticar o evangelho de Cristo. Ao fim, durante o tempo de angústia, o remanescente também se separará de Babilônia e todas as igrejas denominacionais organizadas. Eles fugirão para o deserto, para lá esperar pela volta do Senhor. (ver O Grande Conflito, “O tempo de angústia”, pp. 613-634). 
 
As Igrejas nos lares na Igreja Apostólica 
 

 A primeira Igreja Cristã no tempo dos apóstolos não tinha construções, escolas, hospitais ou outra estrutura visível. Esta Igreja primitiva encontrava-se nas “igrejas nos lares” e, algumas vezes, 
abertamente às margens do rio. (Atos 16: 13). 
 
“Da mesma forma, saudai a igreja que está em sua casa”, escreveu o apóstolo Paulo para os Romanos. 
“Saudai a Epêneto, meu amado, que é a primícia da Ásia em Cristo.” (Romanos 16: 5). 
 
“As igrejas da Ásia vos saúdam”, escreveu Paulo para os Coríntios. “Áquila e Priscila vos saúdam no Senhor, com a igreja que está em sua casa.” (I Coríntios 16: 19). 
 
“Saudai aos irmãos que estão em Laodicéia”, redigiu Paulo para a igreja em Colosso, “e Ninfa e à igreja que está em sua casa.” (Colossenses 4: 15). 
 
“E à nossa amada Afia”, escreveu Paulo para Filemon, “e Arquipo, nosso companheiro e para a igreja que está em tua casa.” (Filemon 1: 2). 
“Mas se tardar, para que saibas como se comportar na casa de Deus”, redigiu Paulo a Timóteo, “que é a igreja do Deus vivo, o pilar e chão da verdade.” (I Timóteo 3: 15). 
 
Note que o apóstolo Paulo não identifica a Igreja Cristã como uma catedral ou denominação, mas ele saúda “Ninfas e a igreja que está em sua casa” (Colossenses 4: 15b). Assim, Paulo afirmou que a Igreja do Deus vivente é o “pilar e chão da verdade” (I Timóteo 3: 15). 

O Espírito de Profecia concorda com Paulo? Sim, não obstante. 
 
“Deus possui uma igreja, ela não é uma grande catedral, nem é um estabelecimento nacional, nem é as várias denominações”, escreve Ellen White, “ela é o povo que ama a Deus e guarda os Seus mandamentos.” (The Upward Look, p. 315). 
 
Isso, é claro, inclui a denominação Adventista do Sétimo Dia. A verdadeira igreja de Deus não é qualquer denominação – “ela é o povo que ama a Deus e guarda os Seus mandamentos”. 

Analogia da Igreja Cristã primitiva 
 
É interessante notar similaridades entre a primeira Igreja, a Igreja Apostólica da chuva temporã, e a Igreja Remanescente última, a Igreja da chuva serôdia. Ambas as Igrejas demonstram piedade 
primitiva. 
“Antes de os juízos finais de Deus caírem sobre a Terra [sete últimas pragas], haverá, entre o povo do Senhor, tal avivamento da primitiva piedade como não fora testemunhado desde os tempos 
apostólicos”, redige Ellen White. “O Espírito e o poder de Deus serão derramados sobre Seus filhos.” 
(O Grande Conflito, p. 464). 
 
Os tempos ou as estações 
 
Na formação da primeira Igreja Cristã, os apóstolos estiveram preocupados com os eventos futuros. 
Logo antes de Jesus ascender ao céu, eles Lhe perguntaram: “Senhor, restaurará nesse tempo novamente o reino de Israel?” (Atos 1: 6b). 
 
“Não vos pertence saber os tempos ou as estações que o Pai estabeleceu pelo seu próprio poder”, Jesus respondeu à questão deles a respeito dos eventos futuros. “Mas, recebereis poder, depois que o Espírito Santo vir sobre vós e ser-me-eis testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia, e em Samaria e até às partes extremas da terra.” (Atos 1: 7 e 8). 
 
Note que não era o desejo de Cristo que todos os Seus discípulos entendessem os eventos futuros. Por quê? 
Porque eles tinham uma missão a realizar. “E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura.” (Marcos 16: 15). 
Mais tarde, por volta do ano 90 d. C., Jesus revelou os eventos futuros para o apóstolo João na ilha de Patmos. (Apocalipse 1: 1). 
 
Depois da ascensão de Cristo, os apóstolos juntamente com um pequeno grupo retornaram para o cenáculo. Lá, eles estavam esperando pelo derramamento do Espírito Santo antes de embarcarem em sua missão de espalhar o evangelho para todo o mundo. “[Jesus] determinou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, que, disse ele, de mim ouvistes.” 
(Atos 1: 4b). 
 
Então voltaram para Jerusalém, do monte chamado das Oliveiras, o qual está perto de Jerusalém, à distância do caminho de um sábado. E, entrando, subiram ao cenáculo, onde habitavam Pedro, e Tiago, e João, e André, Filipe, e Tomé, e Bartolomeu, e Mateus, e Tiago, filho de Alfeu, e Simão Zelote, e Judas, o irmão de Tiago. Todos estes perseveraram unanimemente em oração e súplicas, com as mulheres, e Maria, mãe de Jesus, e com seus irmãos. 
Atos 1: 12-14 
 
Estudiosos do Grego concordam que este era o mesmo cenáculo no qual o Senhor celebrou a última ceia com os doze apóstolos. Perceba que enquanto o corpo principal da Igreja Judaica estava se encontrando no templo durante o período sagrado do Pentecostes, o pequeno grupo do verdadeiro povo de Deus (“o número de nomes juntos era de quase cento e vinte pessoas”, Atos 1: 15b). estava se reunindo em uma cenáculo, e não na corporação Igreja. E eles “perseveraram unanimemente em oração e súplicas.” (Atos 1: 14 a). 
 
A primeira reunião de trabalho na Igreja Cristã 
 
O Senhor tinha dito para a pequena companhia para esperar, mas eles continuaram aguardando? Não. 
Eles decidiram ter uma reunião de trabalho. Pedro colocou-se no meio dos discípulos e disse: “Varões e irmãos, a escritura devia se cumprir, que o Espírito Santo predisse pela boca de Davi, acerca de Judas, que foi o guia daqueles que prenderam a Jesus.” (Atos 1: 15 e 16). 
 
“Porque foi contado conosco e alcançou obteve parte nesse ministério”, continuou Pedro. “Agora, este homem adquiriu um campo com o galardão da iniquidade; e, precipitando-se, rebentou pelo meio, e todas as suas entranhas se derramaram.” (Atos 1: 17 e 18). 
 
Assim, nesse encontro de trabalho, Pedro fez um movimento de modo que eles deviam ordenar um novo apóstolo para entrar no lugar de Judas. Muito embora Jesus tivesse escolhido os doze (“ele 
escolheu doze, os quais nomeou apóstolos”, Lucas 6: 13), a pequena companhia escolheu dois homens e solicitou do Senhor que escolhesse entre os dois. 
 
“Pois que, dos varões…”, pediu Pedro, “um deles seja ordenado como testemunha conosco da sua ressurreição.” (Atos 1: 21 a e 22b). 
 
A Bíblia registra que: “apresentaram dois: José, chamado Barsabás, que tinha por sobrenome Justo, e Matias.” (Atos 1: 23). Assim, eles oraram e pediram que o Senhor selecionasse um desses dois varões. 
 
“Tu, Senhor, conhecedor dos corações de todos, mostra qual desses dois tens escolhido”, oraram os apóstolos, “para que tome parte neste ministério e apostolado, de que Judas caiu pela transgressão, para que possa ir para o seu próprio lugar.” (Atos 1: 24b e 25). 
 
Então, eles lançaram sorte, “caiu a sorte sobre Matias; e foi numerado com os onze apóstolos.” (Atos 1:26). É interessante notar que Matias é falado como único nesses dois versos: Atos 1: 23 e 26. Matias não é mencionado novamente na Escritura! 
 
Todavia, foi Matias a escolha do Senhor para ser numerado entre os doze? Lembre que durante seu ministério entre os homens, Jesus escolheu os doze. (Lucas 6: 13). Eles escolheram dois homens, então pediram ao Senhor para selecionar um dos dois. Se Matias não fosse a escolha de Deus, então, ore e diga, qual foi a escolha do Senhor? 
 
“Paulo, apóstolo, não por homens, nem por homem”, registra as Escrituras, “mas por Jesus Cristo, e Deus, o Pai, que o ressuscitou dos mortos.” (Gálatas 1: 1). 
 
“Porque eu sou o menor dos apóstolos, que não sou digno de ser chamado de apóstolo, pois que persegui a igreja de Deus”, escreveu Paulo aos Coríntios. “Mas pela graça de Deus sou o que sou; e a sua graça para comigo não foi vã, mas eu trabalhei muito mais abundantemente do que todos eles; todavia, não eu, mas a graça de Deus que está comigo.” (I Coríntios 15: 9 e 10). 
 
Note as nove Escrituras seguintes que confirmam o apostolado de Paulo: 
 
1. Chamado para ser apóstolo (Romanos 1: 1); 
2. Chamado para ser apóstolo de Jesus Cristo por meio da vontade Deus (I Coríntios 1: 1); 
3. Um apóstolo de Jesus Cristo pela vontade de Deus (II Coríntios 1: 1); 
4. Um apóstolo, não de homens, nem por homem, mas por Jesus Cristo, e Deus, o Pai (Gálatas 1: 1); 
5. Um apóstolo de Jesus Cristo pela vontade de Deus. (Efésios 1:1); 
6. Um apóstolo de Jesus Cristo pela vontade de Deus. (Colossenses 1: 1);
7. Um apóstolo de Jesus Cristo pelo mandamento de Deus, nosso Salvador, e o Senhor Jesus Cristo. (I Timóteo 1: 1); 
8. Um apóstolo de Jesus Cristo pela vontade de Deus. (II Timóteo 1: 1); 
9. Um apóstolo de Jesus Cristo. (Tito 1: 1). 
 
“Mas, eu vos certifico, irmãos, que o evangelho que por mim foi pregado não é segundo homem”, escreveu Paulo para os Gálatas. “Porque não o recebi de homem, nem o aprendi de homem, mas pela revelação de Jesus Cristo.” (Gálatas 1: 11 e 12). 

Os doze fundamentos da Cidade Santa 
 
No Apocalipse, o apóstolo João viu a cidade santa de Deus, a nova Jerusalém, descendo de Deus do céu (Apocalipse 21:2). 
Esta cidade tinha doze fundamentos sobre os quais estavam escritos os nomes dos doze discípulos. (Apocalipse 21: 14). 
Agora, a questão é: Qual nome estará nesse fundamento? Estará 
“Judas Iscariotes, aquele que o traiu”? (Mateus 10: 4). Não, não podemos acreditar que o nome de Judas Iscariotes não estará sobre o fundamento da cidade santa de Deus. Existem doze fundamentos e devem existir doze nomes. Estará o nome de Matias sobre o fundamento para tomar o lugar de Judas quando ele não é mencionado novamente na Escritura? Será o nome inscrito sobre o fundamento da cidade santa de Deus o do apóstolo Paulo? Querido leitor, o nome sobre o fundamento da cidade de Deus deve ser o nome: “Paulo, apóstolo, não de homens, nem por homem, mas por Jesus Cristo, e Deus, o Pai, que o ressuscitou dos mortos.” (Gálatas 1: 1).

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

A Igreja Judaica no Tempo de Cristo


 
No tempo que Jesus nasceu em Belém, a Igreja tinha desenvolvido uma estrutura “hierárquica” completa. A Igreja era governada pelo Sinédrio, uma Conferência Geral. Esta Igreja não tinha escolas, mesmo escolas de “alto aprendizado”, hospitais, construções de igreja e outras estruturas visíveis. 
Esta Igreja tinha um templo glorioso – todavia a Arca da Aliança contendo os dez mandamentos, escritos pelo dedo de Deus, foi perdida e como um resultado, a glória do Senhor tinha se afastado! (Lucas 13:35). Não considerando esse fato, o povo adorava o templo. A Igreja era o Deus deles. 

“Os judeus adoravam o templo”, escreve Ellen White, “e se deixavam tomar de maior indignação por qualquer coisa que se dissesse contra o edifício do que se falado fora contra Deus.” (Primeiros Escritos, p. 198). 

Muito embora o Sinédrio Judaico não tivesse o poder da morte, tinha o poder de perseguir qualquer um que se opusesse à sua autoridade eclesiástica. Como o Papado, a grande apostasia logo seguida, o Sinédrio procurou o poder do estado para obrigar seus homens – criou dogmas sobre o povo. 

“Cristo devia ser julgado formalmente perante o Sinédrio; mas perante Anás foi submetido a um julgamento preliminar”, redige Ellen White. “Sob o governo romano, o Sinédrio não podia executar a sentença de morte. Só podia interrogar um prisioneiro, e dar a sentença para ser ratificada pelas autoridades romanas.” (O Desejado de Todas as Nações, p. 698). 

“Era, portanto, preciso apresentar contra Cristo acusações que fossem consideradas criminosas pelos romanos [ou Estado]”, continua Ellen White. “Também era preciso achar uma acusação que O condenasse aos olhos dos judeus [ou Igreja].” (O Desejado de Todas as Nações, pp. 698 e 699). 

Paralelos inegáveis 

“Não poucos entre os sacerdotes e príncipes ficaram convencidos, pelos ensinos de Cristo; unicamente o temor da excomunhão os impedira de confessá-Lo…”, escreve Ellen White. “O julgamento devia ser dirigido de maneira a unir contra Cristo os membros do Sinédrio [Conferência Geral].” (O Desejado de Todas as Nações, p. 699). 

Hoje, quantos há que, por causa do “temor da excomunhão” guardam a si de confessarem a verdade? 
Muitos acreditam no Adventismo histórico, todavia são temerosos em falar. Muitos líderes e ministros acreditavam na verdade Adventista histórica da passada década de 50, entretanto tiveram medo de falar e deixaram o irmão M. L. Andreasen permanecer sozinho.  Mas, qual o conselho do Espírito de Profecia sobre este ponto? 

“Se Deus detesta um pecado sobre outro, do qual Seu povo é culpado, é por não fazer nada em caso de emergência”, alerta Ellen White. “Indiferença e neutralidade em uma crise religiosa é considerada por Deus como crime atroz e igual ao pior tipo de hostilidade contra Deus.” (Testemunhos para a Igreja, 
Volume 3, p. 280). 

“Duas acusações desejavam os sacerdotes manter”, continua Ellen White. “Se se pudesse provar que Jesus era blasfemo, seria condenado pelos judeus [a Igreja]. Se culpado de sedição [deslealdade, traição], isso garantiria a condenação por parte dos romanos [o Estado].” (O Desejado de Todas as Nações, p. 699). 
 
Acusado de iniciar uma ramificação da Igreja oposta ao Estado “A segunda acusação procurou Caifás [Presidente da igreja judaica] estabelecer…”, explica Ellen White. “Pensava tirar alguma declaração, provando que Ele [Cristo] estava procurando fundar uma sociedade secreta, com o intuito de estabelecer um novo reino [governo]. Então os sacerdotes O poderiam entregar aos romanos como perturbador da paz e cabeça de insurreição.” (O Desejado de 
Todas as Nações, p. 699). 

O Salvador punha em contraste Sua maneira de agir, com os métodos de Seus acusadores. Durante meses O perseguiram, procurando enlaçá-Lo e levá-Lo perante um tribunal secreto, onde poderiam obter por falso juramento o que era impossível conseguir por meios justos. Agora levavam a efeito seus desígnios. 
prisão à meia-noite por meio de uma turba, as zombarias e maus-tratos antes de Ele ser condenado, ou sequer acusado, era a maneira de eles procederem, não a Sua. O ato que praticavam era uma violação da lei. Suas próprias leis [Manual da Igreja] declaravam que um homem devia ser tratado como inocente até se provar culpado. Em face de seus próprios regulamentos, eram os sacerdotes condenados. 
Ellen White, “Diante de Anás e da Corte de Caifás”, O Desejado de Todas as Nações, p. 699. 

“Era necessário que houvesse a forma de um julgamento legal”, continua Ellen White. “Este as autoridades estavam decididas a apressar.” (O Desejado de Todas as Nações, p. 703). 

Perceba que esse método desviado de lidar com um “dissidente” era a política da mais alta liderança da Igreja. Hoje, vemos estes mesmos princípios praticados pela “pretensão abusiva de autoridade” dela. 
 Cristo previu que o fato de acatar da autoridade a que se entregavam os fariseus e escribas não cessaria com a dispersão dos judeus. Com o olhar profético viu a obra de exaltação da autoridade humana, com o fim de reger a consciência, a qual tem sido para a igreja uma tão terrível maldição, em todos os tempos. E Suas tremendas acusações aos escribas e fariseus, bem como as advertências ao povo para que não seguisse aqueles guias cegos, foram registradas como aviso às gerações futuras. 
Ellen White, O Grande Conflito, p. 596. 

Foi porque a liderança da Igreja no tempo de Cristo tinha se desenvolvido em uma forma de governo falsa e hierárquica e porque a liderança praticou a “pretensão abusiva de autoridade” que Jesus declarou: “Vede, vossa casa ficará deserta.” (Mateus 23: 38). Ellen White afirmou que as advertências de Cristo “foram registradas como aviso às gerações futuras.” 


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